A Vida de um Tradutor

O nome deste blog não veio do nada. A vida de um tradutor é algo que nem toda a gente sabe ou compreende. Questiono-me se as pessoas continuam a desvalorizar o trabalho de um tradutor, ou continua a achar que um tradutor leva uma vida fácil, sem grandes preocupações. Tendo isto dito, começo então por referir o que tenho notado na vida dos tradutores que fui conhecendo ao longo do meu percurso académico, e por fim, mencionarei o que tenho notado na minha vida e na dos meus colegas enquanto estudante de tradução.

  • Carga de trabalho. É intensa, um tradutor não se pode focar apenas num trabalho de cada vez, especialmente um freelancer, cuja vida depende do trabalho e da experiência que for ganhando.
  • Horários. Um tradutor não tem um horário definido, como muitos trabalhadores que começam às 9h da manhã e terminam às 17h da tarde. Um tradutor pode bem estar a trabalhar durante a noite toda, consoante o fuso horário do cliente. Este além de ter de trabalhar em traduções no tempo que consegue arranjar, também tem as tarefas do dia-a-dia a cumprir.
  • Posto de trabalho. Um tradutor que trabalhe numa empresa pode ter de se deslocar para a empresa ou pode ter o direito de ficar em casa enquanto trabalha. Tal como um tradutor freelancer que não tem nenhum sítio específico onde se deslocar, este pode ficar em casa. Tornando a sua casa no seu escritório pessoal e tendo de lidar com todas as possíveis distrações.
  • A ferramenta de trabalho. O computador é hoje crucial para um tradutor. Este instrumento contém tudo o que um tradutor precisa. Desde a dicionários, glossários, programas de tradução, bases terminológicas, etc. Juntando estes fatores podemos concluir que o tradutor não se pode deslocar sem o computador por perto, caso isto aconteça, pode-se considerar que é tempo desperdiçado porque haveria muito pouco que se poderia fazer sem esta preciosa ferramenta de trabalho.

Falando pessoalmente, como estudante de tradução, posso já concluir que a vida de um tradutor não é fácil, nem simples. É preciso ter disciplina para saber gerar o tempo entre a vida pessoal e a vida de trabalho. É um trabalho intenso que nos ocupa muito tempo. Ao contrário do que muitos pensam, não é só conhecer duas línguas, sentar e traduzir um texto. Há muitos fatores a serem considerados, fatores esses que exigem tempo e dedicação por parte do tradutor e, neste caso, do estudante.

Posso assim concluir que, infelizmente, esta profissão é vista como fácil e, consequentemente, desvalorizada porque não parece ser um trabalho a sério. Na minha opinião pessoal diria que para se ser tradutor é preciso um perfil que nem toda a gente possui. Seja desde a ter a disciplina necessária, a ter a capacidade de flexibilidade e paciência quando é preciso saber lidar com todo o tipo de cliente que nos possa calhar. Também é preciso uma tremenda capacidade de adaptação, principalmente agora com o mundo em constante evolução que vai acompanhando o rápido crescimento das ferramentas de tradução automática. Pondo o tradutor a lutar contra a tecnologia e a ideia que um dia esta profissão vai entrar em vias de extinção.

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